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Fechando a inovação aberta: o capítulo que a literatura de estratégia esqueceu de escrever.

Danillo Sciumbata
há 5 dias
2 min de leitura

17 de setembro de 2026

Há duas décadas a pesquisa em inovação aberta vibra sobre como as firmas expandem as suas fronteiras organizacionais para captar conhecimento externo. Muito menos se sabe sobre o que ocorre quando essas fronteiras se fecham. O próprio criador do conceito, Henry Chesbrough, ao lado de Holgersson, Wallin e Dahlander, nomeia esse fenômeno em artigo recente na Strategic Management Review como o fechamento da inovação aberta, e argumenta que essa decisão não é o simples espelho invertido da decisão de se abrir.


Quem me acompanha sabe do quanto sou crítico ao modelo de inovação aberta que as empresas brasileiras adotaram em massa nos últimos anos. Essa crítica tem causa, e eu a sustento porque atuo dentro desse ecossistema há pelo menos 14 anos. A primeira causa é que esse tipo de movimento, na prática empresarial brasileira, acabou se transformando muito mais em uma ação de marketing institucional do que em inovação de fato, o meio virou fim. A segunda é que o nível de maturidade tecnológica das startups brasileiras ainda não acompanha as demandas reais de geração de valor no mercado corporativo. Há quem atribua isso ao chamado vale da morte da inovação, mas eu discordo. A causa real está no baixo investimento estrutural em ciência e tecnologia que o país sustenta há décadas, o que limita a oferta de soluções tecnicamente maduras o suficiente para justificar parcerias de longo prazo, mas isso é assunto para outro artigo.


Voltando ao argumento central deste, a abertura organizacional já é, por si só, conceitualmente densa. Ao decidir abrir suas fronteiras, as firmas criam relações multiplexas em três níveis simultâneos: entre organizações, entre indivíduos e entre tecnologias. Fechar uma dessas relações não dissolve automaticamente as outras. Um vínculo pessoal entre profissionais de duas empresas concorrentes pode sobreviver ao rompimento contratual formal entre as firmas, assim como uma dependência tecnológica pode persistir mesmo após o encerramento da parceria que a originou.


 
 
 

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